Anos sem que uma linha saísse de mim
Por que dizias: o que escreves de mim?
Senhora!

Nada o que escrevo é sobre outros
É de mim que partem as horas
Sobre minha dor, falo.
Como falaria eu da tua?
(nem mesmo este te alcança)

Queres que te diga que cantei loas a outras?
Não.

Ando casada com a solitude forçada.

Me sinto só por dentro de mim.
E esfinge, redobro novamente em duas:
a contemplar de cima do mar,
a dor dos oceanos;
e debaixo deles ver
a leveza dos céus.


E por isso instável: hora sou eu
e hora sou eu-outra.
E raro ser outra e eu
(e é daí que saem os escritos e
tenho que aprender a nada ser
para escrever linhas a ti ou a qualquer um.)


Porque
egóica
individual
solitária
rondando em volta de minha pata de leão
centrada meu umbigo
no meu mundo
(já é vastidão cada ser);

Olho da láctea via do céu:
miro a dança oceânica das marés
me levam de cá para lá e de volta
jogam-me com as forças plutônicas.
E das profundezas abissais vejo:
eu dançando com as estrelas
em amor e regozijo;
há flores pelo cosmos
que olham e miram e
riem e dão sorte.

E quando vejo uma já sou outra,
E quando outra já sou uma
E nunca Una.

E é por isso
Que poucas vezes saem escritos
de uma alma que não consegue
ser o que vê
e nem ver o que é.

Inteireza,
Vem.
Aporta.
Estou pronta para ser também horizonte
onde mar e céus se encontram.

4 comentários:

rodrigo disse...

poesia boa é a de ler em voz alta,e dá vontade de repetir

essa é assim

Anônimo disse...

sou sempre um tanto de outra em ti.

Marília disse...

passei por aqui e senti saudades daquelas tardes com tinta, música, papo e risadas.
beijo meu,

ravel disse...

queria mas não sei o que dizer