Eu sempre olhei pra você com olhos mais fundos do que reservava aos outros.
Então via o fundo de espelhos distorcidos, da minha sombra, do que não sou.
Meu amor se deu pela negação, pelo que difere.
E penso como podem duas pessoas diversas em tudo,
serem iguais e próximas.
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Não sei direito em que hora desse longo dia que transpassamos juntas
eu passei achar que o espelho era eu, e que era eu quem distorcia
os cios e os ócios e as horas e as palavras.
Depois ainda fiquei pensando que o espelho era algo,
nem meu nem seu, mas algo do mundo e da vida,
e que alguém estava fazendo uma brincadeira de mau gosto com tudo.
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Mas era de gosto fino, de amor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Você é linda...

fabiana vajman disse...

saudades dos seus escritos...